Pré-candidato a prefeito é preso após extorquir, ameaçar e chantagear mulheres, em Montes Claros

 

Acusado concorreria ao cargo em São João das Missões; ele escolhia as vítimas pelas redes sociais

Um homem de 32 anos foi preso nesta terça-feira, (28 de julho) suspeito de ameaçar, chantagear e extorquir oito mulheres para não divulgar conteúdos íntimos delas obtidos por ele. As vítimas são de Montes Claros, no Norte de Minas. O acusado Mhayllor Roberio Ferreira Canário foi apresentado nesta quarta-feira (29) durante coletiva da Polícia Civil, na 11ª Região Integrada de Segurança Pública (Risp).

De acordo com a delegada Karine Maia, com cada vítima o acusado agia de uma forma, mas na maioria das vezes ele se aproximava delas, mantinha uma espécie de relacionamento, tirava fotos íntimas, muitas sem que as mulheres percebessem, e depois usava as imagens para cometer os crimes.

O acusado é pré-candidato a prefeito no município de São João das Missões. E ao contrário do que ostentava nas redes sociais, ele não tem uma condição financeira boa, mas de acordo com a Polícia Civil, tinha influências e se relacionava com várias mulheres ao mesmo tempo.

A frieza o acusado chamou a atenção da Polícia Civil. Ele chegou a ligar para o marido de algumas vítimas e não se preocupava em manter anonimato, ele se identificava normalmente. “Ele é completamente sem noção. Ele acha que ele é inatingível, que nada vai atingi-lo. Ele está super tranquilo lá na delegacia agora”, revela a delegada.

As vítimas
Todas as vítimas identificadas até agora são de Montes Claros, ele as escolhiam, normalmente, pelas redes sociais. “Mulheres que estão em crise nos casamentos ou sozinhas porque acabaram de sair de um relacionamento e não queriam expor pra família. Mulheres que tem uma condição financeira boa, com idade acima de 45 a 50 anos, a maioria. Durante esse relacionamento elas bancam ele, pagam coisas pra ele e quando elas queriam sair fora disso, ele começa a ameaçar a divulgar fotos íntimas delas, inclusive para os maridos e em muitas, divulgou”.

Foto: Ascom/Polícia Civil
Ainda, segundo a delegada Karine Maia, no primeiro caso ele pediu dinheiro; “no segundo caso ele pediu dinheiro também, porque ele saiu com uma menina, pagou o programa sexual pra essa menina, no dia segundo ele falou: ‘você me devolve esse dinheiro porque se não eu vou divulgar fotos íntimas sua’, e realmente divulgou”.

Mas em outros casos ele ameaçava a divulgar as fotos e difamar as mulheres para que elas não terminassem o relacionamento com ele. “Ele confirmou pra mim que fez isso, foi lá nas redes sociais, postou:’ ninguém vai na empresa tal porque tem uma funcionária lá que pega os maridos das mulheres’, e ela perdeu o emprego por causa disso”, conta a delegada. Outra vítima foi ameaçada num tom mais agressivo, o acusado disse que colocaria fogo no carro dela, caso não reatasse o relacionamento.

Até o filho de uma das vítimas foi atingido pelo acusado. Nesse caso, o homem começou a manter o relacionamento virtual com uma mulher de 50 anos, enquanto ela estava com crise no casamento. Mas quando ela resolveu botar fim nas conversas com ele pela internet, o acusado ameaçou mandar fotos para os familiares dela. A vítima reatou o casamento e contou para o marido que, ao ficar sabendo, ligou para o homem e xingou ele. Como a mulher não havia tido relação com o chantagista, ele fez montagens com a foto de outra mulher semi-nua e encaminhou o arquivo para o filho da vítima.

O acusado e os crimes

O acusado Mhayllor Roberio Ferreira Canário tem 32 anos, é solteiro e tem filho. De acordo com a delegada da Polícia Civil, Karine Maia, ele não resistiu a prisão, mas tentou esconder o celular. O aparelho foi apreendido. “Nós pegamos ele ontem indo pra casa de uma namorada, que é uma mulher de 48 anos, recém terminada de um relacionamento, arquiteta, que já seria, provavelmente, a próxima vítima”.

Ele tem prisão por pensão alimentícia, ameaças e danos, “não tem passagem por crimes graves não. Na verdade ele é uma pessoa completamente sem noção. Tanto é que a operação chama Dólos, da mitologia grega que é o deus da mentira, das más ações, da malícia. Que é isso que identifico nele”, afirma.

De acordo com a delegada o acusado se enquadra em pelo menos dois crimes. “O crime de extorsão se consuma independentemente do pagamento”. A pena prevista no artigo 158 do Código Penal varia de 4 a 10 anos de reclusão. Outro crime que o acusado está sendo enquadrado é Artigo 218 C, do Código Penal que é expor fotos íntimas sem autorização das vítimas, a pena varia de 1 a 5 anos.

“Ele age assim, sempre nesse sentindo de chantagear, nem sempre para dinheiro. Duas situações, a extorsão, mas a ‘sextorsão’, ela serve tanto para extorsão, que é de cunho financeiro, quanto para conseguir favores sexuais, que é o que ele queria, quanto para conseguir qualquer coisa e constranger a pessoa”.

O acusado cumpre prisão preventiva no município de Bocaiuva, no Norte de Minas. “Se tiverem mais vítimas podem nos procurar, e não ficar com vergonha porque primeiro é sigiloso, a gente não dá nome de vítima, a gente não divulga nada. E segundo para que seja realmente punido com uma pena que o faça ficar preso”, finaliza.

Pré-candidato a prefeito é preso após extorquir, ameaçar e chantagear mulheres, em Montes Claros 


**Escrita pelo repórter Carlos Alberto Jr.

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