MG tem mais de 191 mil casos confirmados de coronavírus e número de mortes chega a 4,7 mil

O número de casos confirmados de coronavírus em Minas Gerais chegou a 191.507 neste sábado (22), de acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado de Saúde (SES). Já são 4.737 mortes em decorrência da Covid-19 registradas.

Ainda segundo a SES, 29.379 estão sendo acompanhados no estado e 157.391 pessoas se recuperaram da doença.

Nas últimas 24h, 2.884 novos casos foram confirmados. Em relação ao número de óbitos, foram 74 novos registros em relação aos dados de sexta-feira (21).

Veja abaixo as histórias de alguns desses pacientes que não resistiram ao coronavírus em Minas:

Rostos e histórias por trás dos números: algumas vítimas do novo coronavírus em Minas Gerais. — Foto: Arquivo pessoal

Rostos e histórias por trás dos números: algumas vítimas do novo coronavírus em Minas Gerais. — Foto: Arquivo pessoal

Pai e filha morrem em BH

 

O primeiro teste de Covid-19 que o aposentado fez deu negativo. Sr. Paulo Roberto morreu no último sábado (13). — Foto: Arquivo pessoal

O primeiro teste de Covid-19 que o aposentado fez deu negativo. Sr. Paulo Roberto morreu no último sábado (13). — Foto: Arquivo pessoal

Paulo Roberto Dias Câmpara tinha 75 anos e era pai de três filhos. Ele falava três idiomas, adorava tocar instrumento de corda e participou de várias apresentações musicais. Para completar a renda da família, trabalhava como vendedor ambulante empurrando um carrinho de picolé pelas ruas do Bairro Santa Cruz, na Região Nordeste de Belo Horizonte.

Fumante, no dia 3 de junho ele deu entrada na UPA Noroeste com quadro de enfizema pulmonar e pneumonia. De acordo com a família, o aposentado chegou a fazer um teste para a COVID-19 mas o primeiro resultado deu negativo. Com a piora do quadro, ele precisou ser levado para o Hospital Odilon Behrens. A filha mais velha, Samira Diniz Câmpara, fez companhia para o pai durante a internação.

No Hospital Odilon Behrens, o quadro de saúde de Paulo Robertou pirou. Um segundo exame feito na unidade de saúde atestou a presença do coronavírus. Mas o aposentado não resistiu. Morreu no sábado, dia 13 de junho, em decorrência de uma parada cardíaca.

Samira tinha 40 anos e trabalhava como cabeleireira. Ela morreu no último dia 17. — Foto: Arquivo pessoal

Samira tinha 40 anos e trabalhava como cabeleireira. Ela morreu no último dia 17. — Foto: Arquivo pessoal

Três dias antes da morte do pai, Samira já estava internada no Hospital Eduardo de Menezes, que é referência no atendimento à pacientes com a Covid-19.

“O quadro dela só piorou, dia após dia, foram oito dias de internação. De uma hora para outra ela ficou muito mal. Assim que fizeram o teste para Covid-19, o resultado foi positivo”, disse o cunhado Ítalo de Jesus.

 

Samira morreu quarta-feira, 17 de junho. Tinha 40 anos e trabalhava como cabeleireira. Era conhecida no bairro pelo talento que tinha para trabalhar com estética e beleza. Deixa um filho de 11 anos: “Ela cuidou do pai e nem se despediu dele”, lamenta Ítalo.

Três parentes mortos em uma semana

 

“Foi muito forte o que aconteceu. Na quinta enterrei meu avô, na terça o meu tio e na quarta a minha tia”, disse ele.

Juarez, avô de Maicon, morreu aos 83 anos — Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

Juarez, avô de Maicon, morreu aos 83 anos — Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

O avô de Maicon, Juarez, tinha 83 anos e, segundo a família, uma saúde de ferro. “Há 20 dias nós estávamos brigando com meu avô para ele descer de uma árvore”, contou o neto.

O casal de tios, Álvaro, de 58 anos, e Marluce, de 55 anos, eram pastores evangélicos.

O casal Álvaro e Marluce morreu de Covid-19 em Betim — Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

O casal Álvaro e Marluce morreu de Covid-19 em Betim — Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

“Faziam um trabalho muito forte dentro do bairro Citrolândia que é não só em cuidar das pessoas dentro da igreja, mas sim, muitas das vezes, de levar um alimento, de zelar pelas pessoas. Esse é o legado maior que eles nos deixaram. De amar as pessoas”, disse Maicon.

‘Via-crúcis’ para conseguir atendimento

 

A doméstica Marli Simplício Araújo, de 50 anos, morreu na manhã de 9 de julho no Hospital Eduardo de Menezes, no bairro Bonsucesso, na Região do Barreiro, em Belo Horizonte. O G1 acompanhou a dificuldade de sua família para conseguir um leito de UTI para ela, na última semana, o que só ocorreu após cinco dias.

Marli e o filho, Thiago — Foto: Arquivo pessoal

Marli e o filho, Thiago — Foto: Arquivo pessoal

A informação foi confirmada à reportagem pelo filho, Tiago Araújo, de 18 anos. Antes de conseguir o leito, Marli estava internada na UPA Justinópolis, de Ribeirão das Neves.

A Prefeitura de Ribeirão das Neves confirmou que o resultado do exame de Marli foi positivo para a Covid-19.

Os pais de Marli também foram internados na UPA Justinópolis, em Neves, com a Covid-19. A mãe dela teve alta no dia 10 de julho, mas o pai, Marinho Araújo, piorou o quadro e também teve que ser transferido para um leito de UTI, o que ocorreu após três dias de espera, na noite de 12 de julho.

“Meu sentimento é de impotência, o mesmo que senti quando perdi a minha mãe. Impotência de buscar pelos nossos direitos e ainda perder minha mãe e meu avô. O Brasil não investe nem na saúde, nem na educação. A gente sente que tem muito déficit”, desabafou o jovem Tiago.

 

Marinho Lúcio de Araújo, de 78 anos, morreu de Covid-19 cinco dias depois da filha. — Foto: Arquivo pessoal

Marinho Lúcio de Araújo, de 78 anos, morreu de Covid-19 cinco dias depois da filha. — Foto: Arquivo pessoal

Capitão da PM

 

A 9ª Região da Polícia Militar (9ª RPM), com sede em Uberlândia, perdeu um policial militar de 46 anos, que morreu no dia 14 de julho, vítima da Covid-19. Segundo informou a PM, o capitão Ivanir Clementino de Brito atualmente coordenava o 53º batalhão em Araguari.

O capitão Ivanir Clementino de Brito morreu de Covid-19 no dia 14 de julho. — Foto: Reprodução / Facebook

O capitão Ivanir Clementino de Brito morreu de Covid-19 no dia 14 de julho. — Foto: Reprodução / Facebook

Ele ficou internado por cerca de 15 dias em estado grave, em um hospital particular de Uberlândia, mas teve complicações e morreu durante a manhã.

A polícia também informou que é a primeira morte de um militar em serviço da 9ª RPM, que abrange 18 cidades do Triângulo Mineiro e a segunda de Minas Gerais, conforme nota enviada pelo comando da PM no estado.

Na nota, a polícia lamentou o falecimento e informou que toda assistência à família está sendo prestada. “Mais um herói que honrou a sua farda e cumpriu sua missão no bom combate em defesa da sociedade mineira”.

Morador de rua vítima da Covid-19

 

“Me ligaram da Santa Casa para me avisar que ele tinha sido internado com Covid-19. A minha ficha não caiu, sabe? Ainda não chorei direito”, disse Valter, irmão mais velho de Adilson.

 

Os irmãos perderam os pais e os avós muito cedo. “Adilson era brincalhão, inteligente, prestativo, chorão (risos). A vida foi muito ruim com ele. Ele foi para o caminho errado. Sofreu demais, sofreu demais”, lamentou.

Única foto de Adilson Goulart que morreu de Covid-19 aos 38 anos — Foto: Valter Goulart/Arquivo pessoal

Única foto de Adilson Goulart que morreu de Covid-19 aos 38 anos — Foto: Valter Goulart/Arquivo pessoal

Após a morte do irmão, Valter começou uma peregrinação para conseguir sepultar o irmão.

“Ele não tinha documentos. Até eu achar a certidão de nascimento dele demorou muito. Aí o corpo foi levado para o IML. Para liberar eu tinha que identificar. Muito triste ver meu irmão daquele jeito. Sem roupa, envelhecido”, contou.

 

Quando estava internado, a preocupação de Adilson era o cachorro que vivia com ele. “Os companheiros dele de rua ficaram tomando conta”, disse Valter.

Casal morre com dez dias de diferença

 

Antônio Borges dos Santos, de 95 anos, e Luiza Francisca Pereira, de 89 anos, costumavam tomar sol juntos na varanda de casa em Rio Manso, cidade com pouco mais de cinco mil habitantes, na Região Central de Minas Gerais.

Antônio e Luiza morreram com dez dias de diferença — Foto: Arquivo pessoal

Antônio e Luiza morreram com dez dias de diferença — Foto: Arquivo pessoal

“Quando minha avó soube da morte do meu avô disse que não ia conseguir viver sem ele. Aí ela piorou muito”, disse Lívia Luiza de Oliveira Borges, neta do casal.

 

Os dois tiveram 13 filhos, dois deles faleceram. Deixaram 30 netos, 33 bisnetos e cinco tataranetos.

“Estavam sempre juntinhos e abraçados. Não podiam ver que estávamos vigiando que rapidinho paravam de abraçar. Foi bem difícil perder os dois em tão pouco tempo”, disse Lívia.

Primeiras mortes em Minas

 

A primeira morte em decorrência do coronavírus divulgada em Minas Gerais foi a de Marlene Eunice Vanucci, de 82 anos, moradora de Belo Horizonte. Ela foi internada no Hospital Biocor em Nova Lima em 21 de março, com quadro de febre, tosse e desconforto respiratório, sendo transferida para UTI dois dias depois. Ela morreu no dia 29 de março. A paciente também tinha doença cardiovascular crônica, diabetes mellitus e pneumopatia crônica.

No dia da morte de Marlene, sua nora fez um desabafo emocionado em uma rede social:

“Gostaria imensamente que os governantes fossem mais respeitosos com cada vida ceifada e sufocada pelo coronavírus. Sr. Ministro Mandetta se mantenha técnico e firme, não se deixe abater por ignorância. Mais amor e mais empatia”, escreveu ela.

 

Morte de Marlene foi confirmada pelo médico do Biocor — Foto: Reprodução Redes Sociais

Morte de Marlene foi confirmada pelo médico do Biocor — Foto: Reprodução Redes Sociais

Mais tarde, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-MG) divulgou outros óbitos que aconteceram antes do de Marlene Vanucci: de um paciente de 79 anos de Patos de Minas, no dia 28 de março, e de uma freira de 79 anos de Paraisópolis, no mesmo dia (veja abaixo a história dela). No mesmo dia 29 de março, também morreu um paciente de 71 anos de Juiz de Fora.

O segundo morador de Belo Horizonte que morreu com exame positivo para a Covid-19 foi o Darcy Gomes Parreiras, de 66 anos, que estava internado no Hospital Semper e morreu três dias depois de dar entrada, em 30 de março. Ele tinha cardiopatia e diabetes mielitus.

Darcy Gomes Parreiras — Foto: Arquivo pessoal

Darcy Gomes Parreiras — Foto: Arquivo pessoal

Freira fazia caridade

 

A prefeitura de Paraisópolis, no Sul de Minas, divulgou a morte da freira Jandira Rosa Chagas, de 78 anos, apenas no dia 10 de abril, quando o resultado dos exames saiu. Mas ela morreu no dia 28 de março, tendo sido um dos primeiros óbitos pela Covid-19 confirmados em Minas Gerais.

Irmã Jandira, como era conhecida, realizava trabalhos na Casa da Criança de Paraisópolis. Ela recebeu homenagens da instituição no dia da morte. O perfil oficial do Instituto das Irmãs Franciscanas de Nossa Senhora de Fátima também homenageou a religiosa quando a morte completou o sétimo dia.

Irmã Jandira, de Paraisópolis (MG), deve morte confirmada por coronavírus pela prefeitura — Foto: Divulgação/Casa da Criança

Irmã Jandira, de Paraisópolis (MG), deve morte confirmada por coronavírus pela prefeitura — Foto: Divulgação/Casa da Criança

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