Covid-19: falas antivacinas do governo contrariam lei assinada pelo próprio Bolsonaro

Depois de assistir aos mais de 857 mil óbitos que a pandemia do novo coronavírus causou no planeta, a maioria da população mundial conta os dias para a chegada de uma vacina que possa nos imunizar contra a Covid-19. Contudo, nos últimos dias, o discurso do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) tem ido na direção oposta a essa ideia e pode também entrar em conflito com uma lei assinada pelo próprio presidente.

Segundo o Artigo 3º da Lei 13.979, sancionada em fevereiro por Bolsonaropara o “enfrentamento da emergência de saúde pública de importância internacional decorrente do coronavírus” poderão ser tomadas as seguintes medidas: isolamento e quarentena. A lei prevê também a realização compulsória de exames médicos, testes laboratoriais, coleta de amostras clínicas, vacinação e outros tratamentos específicos.

Apesar disso, na última segunda-feira (31), Bolsonaro afirmou a uma apoiadora que “ninguém pode obrigar ninguém a tomar vacina”, referindo-se especificamente a uma futura imunização contra a Covid-19.

Um dia depois, foi a vez da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom) publicar em uma rede social que “o governo do Brasil investiu bilhões de reais para salvar vidas e preservar empregos. Estabeleceu parceria e investirá na produção de vacina. Recursos para estados e municípios, saúde, economia, TUDO será feito, mas impor obrigações definitivamente não está nos planos”.

Na manhã desta quarta-feira (02), Hamilton Mourão, vice-presidente, tentou minimizar a fala de Bolsonaro e questionou: “pode ter gente que não quer tomar, o que fazer? vai agarrar a força?”. Mourão, entretanto, afirmou que a fala do presidente não contribuiu para uma possível baixa adesão da vacina.

Apesar desse discurso contrário a obrigatoriedade da vacina, os brasileiros parecem ansiosos pela imunização. De acordo com pesquisa do instituto Ipsus, divulgada nesta terça-feira, o Brasil é o segundo país mais disposto a se vacinar (86%), atrás apenas da China (97%).

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