Novo cangaço: segundo bandido mais procurado de Minas teria participação no ataque a Varginha

O segundo bandido mais procurado de Minas Gerais pode fazer parte da quadrilha do ‘novo cangaço’ que planejava atacar bancos em Varginha, no Sul de Minas, mas foi surpreendida pela operação conjunta da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Militar (PM) que terminou com 26 criminosos mortos. Fontes consultadas pelo repórter Renato Rios Neto, da Itatiaia, acreditam que Márcio Carmo Pimentel, de 41 anos, o Ian, iria participar da ação criminosa.

Ian, que é natural do Vale do Aço, é o segundo bandido de Minas mais procurado pelas forças de seguranças. O criminoso possui 13 mandados de prisão em aberto e é considerado um dos mais perigosos assaltantes do país, sendo chamado de “o rei do cangaço”.

Ian fugiu da penitenciária Nelson Hungria, em Contagem, na Grande BH, em fevereiro de 2020, quando ele e mais três bandidos escaparam por um buraco.

Um elo entre o ‘rei do cangaço’ e o crime de Varginha é a presença dele em um dos sítios de Romerito Araújo Martins, de 36 anos, o Dedinho, que é natural de Goiás e tem passagens por diversos crimes. Em 2009, Dedinho teria executado um rival do mundo do crime que seria X9, conhecido como dedo duro. Ele era considerado de alta periculosidade e tinha passagens por crimes como roubos a mão armada, formação de quadrilha e também uma condenação justamente por um roubo a banco em Minas.

De acordo com fontes da Itatiaia, Romerito seria ligado a Ian e aumenta significativamente a chance que o foragido chegasse no momento do ataque. Além de ser extremamente ousado e perigoso,  Ian teria conhecimento técnico para manusear o fuzil ponto 50 que derruba até aeronaves.  O fato de Ian não estar em nenhum dos dois sítios reforça a teoria já divulgada pela Itatiaia de que os chefes do crime só chegam na hora que o domínio da cidade vai acontecer.

Romerito ainda teria ligação com outro famoso assaltante de banco, Onicesar Abrenhosa Guimarães, que se encontra preso em Uberlândia, no Triangulo Mineiro.

As investigações sobre quadrilha de Varginha seguem sob sigilo de Justiça. Nessa segunda-feira (8) foi liberado o último corpo a ser identificado oficialmente, o do caseiro Adriano Garcia, de 47 anos. Ele tinha pelo menos sete passagens por furtos, entre outros crimes e que seria o elo local com a quadrilha do ‘novo cangaço’.

Relembre

A operação conjunta teve início nas primeiras horas do dia 31 outubro, um domingo, em dois sítios nos arredores de Varginha. Os suspeitos reuniam um arsenal de guerra nos dois imóveis no perímetro urbano de Varginha, como metralhadoras ponto 50, armamento que derruba até aeronaves. Conforme a polícia, houve confronto e um intenso tiroteio. Os 26 criminosos morreram.

Há indícios de que os suspeitos mortos no confronto com a polícia eram membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), de São Paulo.

O que é novo cangaço?

Usada para designar quadrilhas especializadas em grandes assaltos a bancos, a expressão “novo cangaço” foi cunhada há cerca de três décadas no Brasil. Bandos são responsáveis por crimes de grande repercussão, como o assalto à unidade do Banco do Brasil em Araçatuba, em São Paulo, onde os suspeitos pretendiam R$ 90 milhões e impactaram o país com imagens de populares usados como escudos-humanos.

Em Minas Gerais, bem como em outras regiões do país, os suspeitos não chegam às cidades sem estar munidos com forte armamento – como metralhadoras de alto calibre capazes de derrubar aeronaves, fuzis e pistolas; alguns utilizam também carros blindados, e coletes balísticos são itens indispensáveis para esses criminosos. As ações do novo cangaço são marcadas por extrema violência.

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